Fórmula 1 Alternativa #16 – Larrousse Formula One parte 2 FINAL

Bem amigos do Senhor Castanha, voltamos com mais uma edição da coluna automobilística mais respeitada de todo o site. Na edição anterior, demos início a história da Larrousse, a equipe colorida e competente que correu no final dos anos 80 e início dos anos 90.

Se você não manja direito do que se trata essa coluna, só clicar aqui que tem um índice com as edições anteriores e uma explicação rápida sobre o que é isso tudo. No mais, só seguir a leitura caso já saiba.

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Como foi dito anteriormente, até 1991 a Larrousse tinha se estabelecido na categoria como uma legítima “mid-field runner” (eu gostei desse termo por isso uso ele de novo), ou seja, sempre lá no meio da galera. Só que numa dessas a escuderia francesa quase largou a categoria quando deixou de ter contrato com a Lola para fabricação dos chassis. Aí que veio a salvação.

Em 1992, a equipe de Gérard Larrousse passou a ter chassis fabricados pela Venturi, marca francesa de carros-esporte. Novamente os motores Lamborghini V12 davam as caras, e os pilotos seriam Bertrand Gachot e Ukyo Katayama. Estreante na categoria, o nipônico trazia consigo um dinheiro vindo da Japan Tobacco, que estampava a marca Cabin nos carros coloridos.

Vale lembrar que o Ukyo Katayama inclusive estrelou um comercial dos cigarros para a televisão, da época que ainda podia:

O LC92 não era lá o carro mais confiável do grid, apesar de ter finalizado mais corridas que o seu antecessor, não era tão mais rápido. Bertrand Gachot marca o único ponto do time no ano durante a etapa de Mônaco, o que acaba sendo o fato mais importante pra escuderia além da desclassificação de Katayama no Canadá por ter queimado a largada (pra piorar a coisa, na mesma corrida o nipônico se envolvera num pequeno incidente com o companheiro de equipe).

Ao fim da temporada, a Venturi vende sua parte na equipe para o obscuro alemão Rainer Waldorf, que passa a ser acionista. Na realidade, o nome do maluco era Klaus Waltz, que usava o pseudônimo para fugir das autoridades da Europa. O motivo disso? Waltz/Waldorf tinha participação em ao menos quatro assassinatos, fora outras coisas do tipo. Semanas após ele ser anunciado como acionista, a polícia o descobriu. Após conseguir fugir, foi encontrado novamente num hotel, no qual foi morto num tiroteio com a polícia alemã.

Criminosos e mortos a parte, a temporada de 1993 iniciou com uma pequena mudança. Após os repentinos acontecimentos, a Larrousse passou a usar um chassi próprio, sem contar com terceiros para a construção destes. Dessa forma, nasceu o LH93, pilotado por Philippe Alliot (voltou substituindo Katayama, que fora para a Tyrrell) e por Érik Comas (vindo da Ligier, e substituindo Gachot, que fora para a CART/Champ Car).

Durante a temporada, Alliot consegue um quinto lugar em San Marino, melhor posição do francês na carreira e melhor posição da equipe no ano. E depois disso acaba sendo demitido, dando lugar para Toshio Suzuki (que não tem parentesco com Aguri Suzuki, antes que digam que japonês é tudo igual). Por fim, dois pontos de Alliot e um de Comas.

Em 1994, Comas permanece, e Toshio Suzuki é demitido. Numa dessas, o time passa a usar motores Ford e o segundo piloto é o monegasco (nascido em Mônaco pra quem não sabe) Olivier Beretta. Após dez etapas, Beretta é dispensado e dá lugar para Alliot, de novo. Mas o francês acaba abandonando a última corrida que disputa, deixando a categoria máxima de vez.

Vale reparar que dada a situação do time, a Larrousse usou duas pinturas diferentes ao longo do ano, como dá pra notar abaixo:

Ao fim do ano, a crise financeira começa a pesar para a escuderia, e o time contrata Yannick Dalmas (agora recuperado da doença do legionário) e o japonês Hideki Noda. Além de Noda, o suíço Jean-Denis Délétraz é chamado para substituir Comas, que estava desmotivado com os resultados. Por fim, dois pontos, ambos conquistados por Érik Comas com dois sextos lugares.

É bom colocar imagens raras aqui, como esse teste de Olivier Beretta com essa Larrousse na cor do reggae:

O engenheiro da equipe, Robin Herd, desenhara o LH95, já que mesmo com a crise financeira batendo na porta, Gérard Larrousse pensava em manter o time. Mas numa dessas acabou não rolando, e com isso todos os pilotos cotados para a vaga ficaram de fora. O francês Christophe Bouchut já havia até assinado contrato, mas não rolou. Os também franceses Éric Helary (vencedor das 24 Horas de Le Mans de 1993 com Bouchut) e Emmanuel Collard chegaram a ser sondados, além do hispano-americano Elton Julian. Todos ficaram de fora, assim como a equipe que planejou um retorno em 1996 mas que também não rolou por causa de problemas judiciais.

Sendo assim, a participação da equipe terminava ali, com 127 corridas, 23 pontos e 1 pódio. Mas, o fim nunca é o fim de verdade, naturalmente. Gérard Larrousse participou de algumas corridas nas categorias GT, inscrevendo um Lamborghini Diablo, mas sem sucesso. Até 2006, trabalhou como consultor em várias equipes de corrida por aí. Atualmente está com 75 anos e aposentado, ao que se sabe. Numa dessas, achei uma entrevista recente dele, durante um evento:

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Novamente, espero que tenha sido divertido para você como é para mim falar sobre isso tudo. Semana que vem, a equipe que tem nome de Pokémon (só muda uma letra, vai): a Onyx.

Até a semana que vem!

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21 anos, jornalista, blogueiro, pintor de discos voadores. Gosta de música, de F1, de batata e de estudar (mas gosto mais de batata).