Fórmula 1 Alternativa #17 – Onyx Grand Prix

Bem amigos do Senhor Castanha, estamos chegando a mais uma etapa da coluna automobilística mais respeitada deste blog (e eu juro que ainda vou bolar uma piada nova pra colocar no começo, mas deixa essa por hora). Se você não sabe o que é a Fórmula 1 Alternativa, clica aqui e DESCUBRA.

Na semana anterior, tivemos a história da Larrousse Formula One, uma equipe que faltava dinheiro mas tinha competência e tinta pra pintar os carros num tom coloridão e legal. Hoje teremos a história da Onyx Grand Prix, uma equipe colorida, competente e endinheirada. Parece promissor, né não?

Os primeiros passos da Onyx começam em 1978, quando a escuderia é fundada e entra na Fórmula 2, categoria de acesso a Fórmula 1 (com um nome desses era meio óbvio). Tendo o apoio da March, fez várias tentativas de entrada na categoria máxima, mas acabou não rolando. Com a morte de Riccardo Palletti (possível piloto da equipe na Fórmula 1), os planos foram por água abaixo, e o co-fundador Greg Field vendeu sua parte para Jo Chamberlain.

A Fórmula 2 deixou de existir em 1984, mas mesmo assim a Onyx Grand Prix migrou para a Fórmula 3000, que a substituiu. Em 1987, Stefano Modena conquistou o título da competição pela equipe, e em 1988, Mike Earle e Jo Chamberlain decidem entrar enfim na categoria máxima no ano seguinte. Aí que entra a cereja do bolo.

O britânico Johnny Dumfries pilotando um carro da Onyx na Fórmula 3000, só não sei o ano.

Os pilotos da Onyx seriam o experiente sueco Stefan Johansson e o franco-belga-luxemburguês Bertrand Gachot. Os patrocinadores eram a Marlboro (figura constante nos carros de F1 da época) e a Moneytron. Eu vou até abrir um parêntese para explicar o que era essa marca.

Gachot trazia o patrocínio citado acima, por ser amigo do belga Jean-Pierre Van Rossem. Van Rossem é o típico cara maluco que cê nunca sabe como tá na ativa ganhando dinheiro, e mesmo naquela época não era diferente. Na década de 80, 0 belga (que olhando a foto abaixo não era alguém que inspirava confiança) criou um suposto software de nome Moneytron, que fazia cálculos e previsões sobre a economia mundial. O software ficava instalado num suposto supercomputador guardado numa sala nos fundos do escritório do indivíduo, sala que era vigiada constantemente (e ai de quem entrasse ali).

A realidade é que não existia computador e programa nenhum, mas sabe-se lá como, o Bertrand Gachot conseguiu entrar com um valor milionário nessa jogada toda e chegou na temporada de 1989 da Fórmula 1 com sei lá, dez vezes mais. Eu sabia o valor exato mas já esqueci. Mas o que importa é ter dinheiro pra sustentar a escuderia né?

Enfim, voltando para as pistas. O bólido do time, o Onyx ORE-1, tinha uma cor incomum até mesmo pra hoje, azul com tons de rosa e branco. Ambos não conseguiram nem passar da pré-qualificação nas três primeiras etapas (Brasil, San Marino e Mônaco), mas depois disso a coisa foi melhorando. Mesmo assim, Bertrand Gachot tinha problemas para se classificar, só largando na etapa francesa que foi a sétima do ano. Stefan Johansson se classifica para três etapas seguidas (México, Estados Unidos e Canadá), mas abandona nas duas primeiras e é desclassificado da etapa canadense por ignorar uma bandeira que se prendeu ao seu carro.

Numa dessas eu achei esse raro registro da equipe (com Van Rossem aparecendo), no canal do próprio maluco inclusive.

Na etapa francesa, a glória veio para ambos. Gachot se classificou enfim, como disse acima. Mas Johansson conseguiu um respeitável quinto lugar, a frente de nomes como Nelson Piquet e Eddie Cheever. Depois de alguns altos e baixos para o sueco (não passar nem da pré-qualificação, abandonar umas e não pontuar em outras), tivemos a glória máxima.

Largando da décima-segunda posição (como boa mid-field runner que a Onyx era), o sueco consegue terminar numa respeitável terceira posição na etapa portuguesa, junto com o segundo colocado Alain Prost e o vencedor Gerhard Berger.

O finlandês J.J. Lehto (que tem esse nome porque é abreviação de Jÿrki Järvilehto e é mais fácil falar assim, porque né) entra no lugar de Gachot nas quatro etapas finais, mas abandona as duas que consegue se classificar. Por fim, a escuderia azul termina em 10º lugar no Mundial, com seis pontos.

Como dá pra notar, o time era até competente e bem servido de dinheiro, mas tinha um problema: a administração da coisa toda era uma merda, falando honestamente. Van Rossem não era lá um cara tão fácil de se lidar, e aparentemente o único que se dava bem com ele era Gachot. Que por sua vez tinha problemas com Greg Field, que saiu da equipe ao final do ano. E numa dessas Van Rossem saiu do time (levando boa parte da grana) e dando sua parte para o engenheiro Alan Jenkins.

Após essa bagunça toda se resolver (ou ao menos parte dela), a Onyx caiu na mão do grupo japonês Middlebridge, até o milionário suíço Peter Monteverdi comprar a equipe toda. A dupla do ano anterior é mantida e numa dessas Mike Earle volta para o time, mas Monteverdi resolve fazer um corte de gastos e demite uma meia dúzia de funcionários.

O Onyx ORE-1B é lançado, e após não se classificar nas duas primeiras etapas, Johansson é demitido, e no seu lugar entra o lendário Gregor Foitek, famoso pelas batidas que causou em várias ocasiões. Lehto continuou na equipe, e a dupla alterna abandonos e resultados sem pontos. Após uma não-classificação na Hungria, a Onyx-Monteverdi (renomeada após o novo dono assumir) acaba falindo. Vale lembrar que o pai de Gregor, Karl Foitek, era sócio da equipe. E numa dessas o maluco decidiu se retirar (tirando o filho da jogada junto), porque a equipe sequer tinha dinheiro para a manutenção básica dos carros, colocando em risco a vida do filho, que já não era lá um Ayrton Senna.

Ao menos deu pra achar esse vídeo da pré-qualificação da etapa mexicana de 1990.

Sendo honesto, eu duvido que isso chegava realmente a 345 km/h. Mas se a própria empresa Monteverdi está expondo o carro e falando isso, quem sou eu pra dizer, né?

O fim nunca é o fim de verdade, lembrem-se. Nosso querido finlandês J.J. Lehto chegou a testar um carro branco e vermelho para 1991, mas a falta de dinheiro acabou inviabilizando tudo. No mesmo ano, Jean-Pierre Van Rossem foi preso, graças a farsa do Moneytron citado lá no começo. Depois disso seguiu a vida como político (fundando o próprio partido), filósofo, figura pública e mais um monte de coisas.

Registro de algum indivíduo heroico pilotando o ORE-2 de 1990 (identificável pelas cores, já que Monteverdi colocou faixas verde-maçã no lugar da cor rosa nos carros)

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Como deu pra notar, foi uma história longa demais pra um post só, e sucinta demais para dois. Então fiz em um só e pronto, ficava mais simples. Semana que vem, a história da equipe que originou a Andrea Moda. Ninguém menos que a lendária Coloni.

Até semana que vem!

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21 anos, jornalista, blogueiro, pintor de discos voadores. Gosta de música, de F1, de batata e de estudar (mas gosto mais de batata).