Fórmula 1 Alternativa #19 – Escuderia Fittipaldi

Bem amigos do Senhor Castanha, estamos aqui na última (será mesmo?) edição da coluna automobilística mais querida de toda a internet. Se numa dessas você não sabe o que é a Fórmula 1 Alternativa, clica aqui que é a última chance de olhar o índice pra entender o que é, além de poder ler as colunas anteriores.

Para encerrar com chave de ouro, contaremos a história da primeira e até hoje única equipe brasileira na Fórmula 1. A equipe seguia aquele negócio que vocês já viram anteriormente aqui, era mais uma equipe fundada por um piloto campeão, e que por isso já parecia promissor só de olhar. Com vocês, a Escuderia Fittipaldi.

Nos anos 1970, Emerson Fittipaldi colocou o Brasil no caminho da Fórmula 1 ao se sagrar campeão mundial em duas ocasiões, nos anos de 1972 e 1974. Além disso, fora vice-campeão em 1973 e 1975. Isso tudo fora suficiente para que o país virasse alguma referência no automobilismo, além de ter levado a criação do Grande Prêmio do Brasil na mesma época. Mas faltava uma equipe brasileira, alguns diriam.

E foi assim que rolou. Wilson Fittipaldi Jr., irmão do bicampeão, tinha a ideia de colocar uma equipe sul-americana na categoria máxima. Com a ajuda do irmão e também do lendário engenheiro Ricardo Divila, surgiu o Fittipaldi FD01, movido por um motor Ford Cosworth DFV V8 e pilotado por Wilson Fittipaldi Jr. e pelo italiano Arturo Merzario para a temporada de 1975.

O carro não era exatamente ruim, mas passava longe de ser o melhor. Em uma temporada, zero pontos, com três não-classificações e um décimo lugar como melhor resultado. A essa altura, várias atualizações foram sendo feitas, e com isso os modelos FD02 e FD03 foram sendo lançados e usados ao longo do mesmo ano.

No ano seguinte, Emerson se retira da McLaren, equipe que lhe dera o segundo título para se dedicar ao seu time, como piloto e também como um dos donos. E assim veio o FD04, pilotado por Emerson e por Ingo Hoffmann, que anos depois tornaria-se lenda na Stock Car Brasil. Os primeiros pontos do time brasileiro vieram com o bicampeão, que foi sexto colocado em três ocasiões (EUA-Oeste, Mônaco e Inglaterra). Hoffmann não tem a mesma sorte e acaba classificando-se apenas na primeira etapa, disputada no Brasil, a qual termina na décima-primeira colocação. Depois disso, três não-classificações, e no final de tudo um décimo-primeiro lugar no Mundial de Construtores, graças aos pontos de Emerson.

Os recursos eram bons mas manter dois carros não era tarefa fácil (coisa que vocês já viram por aqui com certeza), e por isso Hoffmann acabava tendo poucas oportunidades, que o diga a temporada de 1977, na qual abandona a primeira prova e termina a seguinte em sétimo, seu último e melhor resultado na categoria. No mesmo ano, Emerson anota 11 pontos, tendo três quartos lugares como melhores resultados. Isso rende o nono lugar para a escuderia brazuca no Mundial.

O ano de 1978 se inicia com algumas mudanças. No ano anterior, Ricardo Divila deixara o time, mudando então o nome dos carros (o FD no nome deles eram as iniciais de Fittipaldi e Divila), e por isso o bólido a ser usado em 1978 é chamado de Fittipaldi F5. Na verdade F5A, já que o mesmo modelo fora usado em 1977.

Emerson agora era o único piloto da escuderia, que na época tinha o nome de Copersucar-Fittipaldi. Abrindo um parênteses na história toda, o time tinha lá uma boa descrença aqui no Brasil. Talvez pelo fato de ter o nome de um campeão que até então só dera alegrias ao país, todos esperavam que os resultados fossem bons (juntando com a típica mania de brasileiro de achar que fulano tem obrigação de ganhar). Por isso, comentários negativos não faltavam, em especial nos jornais e na boca do povo. Apelidos como “Fittipinga”(pelo fato da Copersucar fabricar álcool) eram comuns, e por isso conseguir patrocínio frente a isso tudo não era tarefa fácil. A coisa era tão pesada que o lendário radialista Wilson Fittipaldi, pai de Emerson e Wilson chegou a retirar o apoio financeiro no começo do time como forma de desencorajar a dupla a levar o projeto para frente.

A despeito disso, o F5A se mostrava um bom carro. Na primeira etapa, disputada na Argentina, um nono lugar, conquistado por Emerson. E parecia promissor, frente aos resultados medianos e aleatórios que o time teve antes disso. Mas a glória tinha que vir em casa, claro. Nas vezes anteriores que o carro correu no Brasil, os resultados foram daquele jeito. Um décimo-terceiro aqui, décimo-primeiro ali e um quarto lá. Até o Grande Prêmio do Brasil de 1978.

Correndo em Jacarepaguá, Emerson classifica-se em sétimo lugar, e supera nomes como Niki Lauda, Mario Andretti e Gilles Villeneuve ao terminar na segunda colocação, atrás apenas do argentino Carlos Reutemann. Deu aquela sensação de “podia ter sido primeiro”, mas a festa brasileira foi consideravelmente grande, e isso até reacendeu o ânimo da equipe também. Depois disso, dois quartos, dois quintos e um sexto lugar, que renderam ao todo 17 pontos e o sétimo lugar no Mundial, melhor colocação do time na história.

O ano de 1979 acaba sendo meio decepcionante para o time. Ralph Bellamy é contratado para projetar o novo carro, e um grande investimento é feito para que o carro tivesse uma aerodinâmica que trabalhasse o chamado efeito solo (que deixava o bólido praticamente preso ao chão, melhorando a estabilidade e a velocidade). Bellamy o faz usando como base a Lotus do ano anterior, já que a equipe havia conquistado o Mundial de Pilotos e o de Construtores.

Mas no final, apenas um sexto lugar como posição que rendesse pontos, e vários abandonos. Outro brasileiro, , dá as caras no time nas duas últimas etapas, mas não se classifica em nenhuma delas. A coisa piora quando a Copersucar retira o patrocínio da equipe, diminuindo as contas desta. Aí veio a salvação. A Wolf, equipe canadense que entrara em 1976 no Mundial, se retirava da competição. Com isso, a Fittipaldi compra a escuderia recém-saída, permitindo algumas mudanças como a possibilidade de ter dois carros e também a contratação da promessa finlandesa Keke Rosberg (que hoje é mais famoso por ser pai do Nico Rosberg, mas ele tem lá sua fama e respeito também). Aí de repente a coisa parecia promissora de novo.

==============================================

Seguindo o costume, encerro na parte dramática para dar aquele suspense e pra não virar textão demais. Semana que vem, a segunda e derradeira parte da história do time brasileiro da Fórmula 1.

Até semana que vem!

Share Button

21 anos, jornalista, blogueiro, pintor de discos voadores. Gosta de música, de F1, de batata e de estudar (mas gosto mais de batata).