Palavra do Mestre Pimenta: Parques de Diversão, um Suco de Brasil

Saudações, leitores. Não, pula isso porque ficou mó coisa de blogueiro sério, vai a merda.

FALAÍ GALERINHA DO MAL, SUAVE?

Pronto.

Fazia tempo que eu não escrevia nada aqui, mas eu tive uma ideia de tema depois do último fim de semana. Em tempos em que o Hopi Hari tá falindo e voltando (tipo relacionamento de adolescente), escrever sobre parques é um negócio bem-vindo.

Mas não os parques grandes, esses que os brinquedos funcionam de boa, nunca dão defeito e nunca morre ninguém (ATA que não). Falo daqueles parques raiz mesmo, que são mais baratos e se instalam naqueles terrenos vagos perto da rodoviária da tua cidade (igual aqui) ou naquela avenida perto da casa da sua tia.

(imagem meramente ilustrativa)

Graças a uma ideia que dei pra uma tia e um primo, fui num parque que está aqui em Itatiba desde sei lá quando. O ingresso dele era bem simples, pra começar: cartela com 5 ingressos dez reais, ou por 25 reais você descolava uma pulseira que te permitia brincar em tudo até as 22h. Qual a gente escolheu? A cartela, lógico. Mas logo a gente viu que o negócio era brincar até sair voando no chapéu mexicano, andar de barco viking até o cu fazer bico, aí meu primo tirou o escorpião do bolso e pegou pulseira pra ele, pra mim e pra minha irmã (que inclusive fez aniversário nesse fim de semana, portanto era parte das comemorações).

O primeiro brinquedo era bem simples, o famoso SAMBA. Aquele que você senta num bagulho em círculos que fica sambando em cima de uma plataforma e você tem que se segurar pra não cair e ficar indo de um lado pro outro igual ovo mexido. Saí com uma leve dor, mas disposto a ir de novo.

Na hora que tava saindo reparei na arte do brinquedo (um show a parte). O negócio tinha um desenho da Fergie e do Flo Rida (???) junto com umas divas pop e uns caras do rap atual que não saquei quem eram, não sei se pelo desenho ou pelo meu conhecimento musical (e olha que manjo de rap hein). Mas a grande pérola tava no brinquedo do lado, chamado de WIND SURF, que é um negócio que você senta e ele fica rodando, tipo o Jambalaia do Hopi Hari. O brinquedo (bem loco por sinal) tinha um desenho de um surfista e um deus do mar aleatório (talvez um Netuno estilizado). Tava bem feito? Tava sim, todas as artes do brinquedos eram bem feitas, mas parecia rótulo de catuaba aquela porra.

Num gesto de bobagem que só irmãos fazem, desafiei minha irmã a cantar qualquer coisa com o brinquedo em movimento. E começamos a cantar De Nada (tema do Maui, do filme da Moana) enquanto eu sei lá se a galera prestava atenção. Foi tão fácil que no final acabamos fazendo isso em todos os brinquedos.

O ponto alto foi eu cantando Me Lambe no barco viking, cuja plateia parecia estar interessada, fosse na minha habilidade musical ou fosse em observar o idiota que vos escreve cantando. Eu devia ter ido na roda gigante pra música fazer mais sentido, mas o frio na barriga veio de qualquer forma (e parou por aí, porque se ela der mole eu juro que não faço nada porque dá cadeia e é contra o costume).

Depois disso, o chapéu mexicano foi a pedida. Por uns instantes achei que ia sair voando igual o ET na bicicleta, mas depois me acostumei e até cantava I BELIEVE I CAN FLY numa boa, vento batendo na cara, tal. Nada de emocionante, tirando a trava que fechava a cadeira que parecia um clips de papel grandão.

Saindo dali eu observei como parques de diversão são uma receita pra você se divertir, mas são uma receita pra dar bosta. Nem pelos brinquedos, mas pelo conjunto geral do negócio. Você sai de algum brinquedo e bate a fome. Que o proletário que tá levando o filhão e a esposa pra brincar faz? Compra um super dogão, DAQUELES mesmo.

O que vendia lá (que realmente se chamava Super Dogão, tinha a arte de um simpático cão salsicha num pão voando igual o Superman) custava sete reais e tinha até a mãe dentro. Não vou nem entrar no mérito de que a minha irmã passou mal com os pedaços de pimentão que tinham no molho e gorfou na saída do rolê, porque isso faz parte.

A fita que realmente me ganha é que vende cerveja junto. Não que eu beba demais (eu gosto de cerveja, veja bem), mas tem que ter um leve desprendimento social e um grau de alcoolismo leve pra mandar aquela Skol geladona num rolê cheio de crianças, cujos brinquedos te fazem rodar até dizer chega. Porra, o álcool já te deixa rodando sozinho. No pior dos cenários o peão come um dogão, toma uma cerveja e gorfa no brinquedo mais hardcore. O qual falo agora.

Minha irmã (antes de comer isso, veja bem) resolveu ir no famoso Space Loop, esse do vídeo aí que tá linkado. Fi, o negócio é tão surreal que a galera entrava nele com uma cara de quem tava afim de brincar e rodar pra diabo, mas com um medo característico de quem ia pro pelotão de fuzilamento. Por acaso assim, um cidadão saiu na hora que a minha irmã entrou e falou “tinha vômito lá dentro e eu quase vomitei lá”. Aquela frase bem confortante pra quem tá entrando no brinquedo.

Aliás, todo parque tem um brinquedo mais hardcore assim, e todo brinquedo assim tem uma pessoa que sai falando isso. É tipo um mensageiro do apocalipse. Fiquei feliz de não ter entrado, provavelmente teria botado pra fora o salgadinho que ganhei na barraca de tiro.

Sim, tinha um estande de tiro com espingardas de rolha, valendo uns prêmios bem infantis e bobos tipo catuaba, pinga azul, maço de San Marino e caixas de bombom. Em pouco tempo já tava quase o Sniper Americano (não lembro o nome do mano), uns sete tiros e tava quase derrubando o maço de San Marino que mirei. Não sei o que ia fazer se ganhasse porque não fumo, mas queria ter derrubado. Final das contas derrubei dois pacotes de salgadinho e saí feliz.

Depois disso acho que acabei indo comer o tal do Super Dogão, o qual foi só metade por questões de segurança alimentar. Aí pra relaxar fui no famoso Little Car of Hit-Hit (Carrinho de Bate-Bate em inglês), botar minhas habilidades de Lance Stroll ou Jolyon Palmer em dia. Diga-se de passagem evitei várias batidas, herdando as habilidades do meu pai nisso (nota: meu pai nesse negócio é tipo um final boss que se você acertar ele você ganha, porque o velho tem um reflexo tão surreal que você não bate nele mesmo num cenário propício para isso). O estômago sacudiu de leve mas tava suave.

Sentindo-me confiante (tá no final já, juro), fui no tal do Barco Viking. De trilha sonora ao vivo e acapella mandei Nega Jurema e mais alguma que não lembro. Em dado momento falei “acho que vou gorfar”, naquele famoso momento de “tô brincando mas é sério”. A essa altura o dogão já tinha subido na garganta, mas a auto-confiança tinha subido na casa do caraio. Resolvi ir no Samba. Meu Sensor Aranha apontava alguma palhaçada vindo, mas fui.

Logo de cara vejo um monitor do parque entrando no brinquedo. “O cara também é filho de Deus, deixa os garoto brincar”, pensei. Meu primo vai e fala “nossa, parecia até que ele ia de pé no negócio”. Naquele momento que nem Mãe Dinah (ou Diná, sei lá como fala isso) pode prever, o cara realmente fez isso.

Até então, o pior cenário daquele brinquedo tinha sido a mina perdendo o sapato, que logo ela achou no banco do outro lado em que ela tava. Mas com o BUXIM CHEI e o mano em pé, calculei o pior cenário possível: ele caindo e eu gorfando, ou eu gorfando e ele escorregando no gorfo e etc. 

Spoiler da história: nenhuma das duas coisas aconteceu, ele usou de uma técnica inigualável pra ficar lá e eu fiz uso de uma técnica inexplicável pra não passar mal. Mas como o universo faz com que eu nunca saia de graça, uma mina caiu em cima do namorado (ou eu espero que seja) enquanto o brinquedo sacudia, produzindo uma verdadeira sarrada ao vivo no parque cheio de crianças. A câmera imaginária que há no meu cérebro fez o favor de gravar a cena na minha memória para sempre.

Em resumo, eu me diverti feito criança, me senti o Lee Harvey Oswald dando tiro de rolha e concluí que os parques de diversão itinerantes são um verdadeiro suco de Brasil. Se você é criança e só pode ir nuns brinquedos mais suaves, tem lugar. Se você é adolescente hardcore que se arrisca, tem coisa perigosa, se você é um quase-adulto meio bobo das ideias que não sabe se tem idade pra isso tudo, tem coisa também. No final dei falta daquelas montanhas-russas que a gente se caga de medo de ir, mas o espaço do local não permitiu (Deus não dá asa pra cobra, afinal).

Agora eu me pergunto se o cara que gorfou no Space Loop tinha pego o combo do Super Dogão ou o quê. Na verdade, todo mundo já viu esse tipo de cena, mas eu não conheço ninguém que tenha gorfado em brinquedos de parque assim. Até achei que seria eu mesmo, mas felizmente não.

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Nem sei como termino isso, mas espero que cês tenham achado legal. Segue eu no twitter @vitorthechilli e etc que vira e mexe eu faço umas threads lá contando umas palhaçadinhas assim e também dou dicas para uma vida saudável.

Até a próxima!

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21 anos, jornalista, blogueiro, pintor de discos voadores. Gosta de música, de F1, de batata e de estudar (mas gosto mais de batata).