Moana, um filme que quebra tudo que é padrão [AVISO: CONTÉM SPOILERS]

Bom dia, boa tarde ou quem sabe boa noite, humanos maravilhosos. Tudo bem com vocês? Eu tô bem também. Então, depois de resenhas de álbuns, de livros e enfim, venho por meio deste post fazer uma resenha de filme. Originalmente a primeira resenha de filme aqui seria sobre Cães de Aluguel do Tarantino, que vi recentemente.

Mas como acabei não fazendo (esqueci na realidade), fica uma resenha de Moana, o mais novo lançamento da Disney.

Quando cê dá aquela olhada no pôster e no trailer do filme, cê pensa “pera, essa é a princesa da vez?”, seguido de um “esse negócio parece bom”. E de fato é. A começar que é uma princesa que foge totalmente do habitual; não é uma princesa de vestidão, ela não liga muito pro cargo/título, e principalmente de tudo: ela não tem um par romântico na história.

A história, por sua vez, gira em torno da vontade da princesa Moana de explorar o mundo além dos recifes da ilha onde vive com seu povo, a fim de recuperar o coração de Te Fiti, deusa da criação da ilha. Naturalmente, ela recebe uma negativa enorme do seu povo, em especial de seu pai, que diz que é perigoso ir além dos recifes e enfim.

Não que isso adiante muita coisa, já que a Moana é uma princesa que não liga tanto pras coisas e mete o famoso loco, uma qualidade e tanto se tratando de uma princesa da nova geração. E aí, numa dessas assim ela encontra o Maui, um semideus que roubou o tal coração que ela procura.

Eu não sei se vocês assistiram Zootopia, mas a relação da Moana e do Maui se dá de forma semelhante a relação entre a Judy Hopps e o Nick Wilde no filme dos bichos aí. O Nick age como um completo malandro filho da puta mas no final se mostra de bom coração.

Ao passo que o Maui faz jus ao estereótipo de deus/semideus que mete o loco porque sabe que não vai morrer e porque sabe que tem poder pra fazer uma pá de coisa. Em outras palavras, cê chega a ficar com raiva do Maui algumas vezes pela postura até arrogante dele, mas ao entender o lado dele na história cê chega até a dar razão pra essa postura toda.

Falando em sentir coisas, o filme tem uma carga dramática considerável pros padrões da Disney, outra inovação. Ao menos para mim, o enredo e o final são bem óbvios, mas a grande coqueluche da coisa (e eu fico com 50 anos de idade só de falar essa palavra) é que você não sabe de fato como vai rolar.

Cê sabe que a Moana vai sair da ilha, que ela vai recuperar o coração e que eles vão derrotar o Te Ka, que é o bichão que tá causando todo o mal que a ilha tá passando. Só que é tanta coisa rolando o tempo todo que você fica se perguntando como isso acontece.

Em contrapartida, o filme tem uma carga de comédia interessante. Falo isso porque os diálogos engraçados tem um estilo de piada e até de interpretação típicos da Disney, tanto é que quando vi alguns diálogos da Moana eu achei que estava vendo um episódio de Os Feiticeiros de Waverly Place. Não que isso seja exatamente ruim.

O alívio cômico do filme, o galo mudo e vesgo Heihei, chega a ser mais um pé no saco do que exatamente engraçado. Na realidade, ele é até engraçado, mas as cenas envolvendo ele são repetitivas, então você sabe que o bicho vai fazer alguma burrada ou enfiar alguma coisa que não devia bico adentro.

Falando agora em termos técnicos, Moana tem um trabalho de animação surreal de bem feito e um trabalho de pesquisa que eu não sei como foi feito, mas que teve um bom resultado. Representar um povo das ilhas do Pacífico é algo que exige pesquisa, já que envolve trabalhar com uma cultura totalmente diferente. Desde as roupas até as tatuagens, das casas aos hábitos do povo da nossa nova princesa, tudo foi meticulosamente feito.

O que vem gerando grandes elogios da “galera da representatividade”: o fato da princesa ter um comportamento que foge do habitual de uma princesa Disney e o fato dela ser de uma etnia diferente tem feito com que o filme esteja recebendo uma atenção considerável. Não é o único motivo pelo qual Moana deve ser visto, mas é um peso e tanto.

Ou seja: vale até demais o dinheiro do ingresso e o tempo que cê vai gastar para ver o filme, que tem 1h55 de duração (grande pros padrões de filmes de princesas Disney). Em resumo, é um filme que não só quebra uma cacetada de padrões como também é bom (já que uma coisa não tá diretamente relacionada com a outra, mas isso é discussão pra outra hora).

Até a próxima!

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21 anos, jornalista, blogueiro, pintor de discos voadores. Gosta de música, de F1, de batata e de estudar (mas gosto mais de batata).