RESENHA SEM SPOILERS: O Touro Ferdinando

Bom dia, boa tarde ou eventualmente boa noite, leitores. Depois da resenha de Star Wars: Os Últimos Jedi, temos aqui mais uma resenha de filme. Dessa vez, uma coisa mais leve, mais tranquila. No caso, uma animação, que inclusive está concorrendo ao Oscar.

Com vocês, O Touro Ferdinando.

Pra começar, eu não estava planejando ver o filme, mas acabei indo porque eu vi que O Touro Ferdinando estaria concorrendo ao Oscar, então resolvi dar uma chance. Como eu não sabia muita coisa da história (diferente de Star Wars que eu estava num hype gigantesco), eu podia esperar qualquer coisa.

Pois bem, me surpreendi e muito. Primeiro vou falar da parte técnica do filme. Animações em 3D são um negócio meio batido pro cinema atual, já não impressionam tanto como no começo da década passada. Porém, a evolução na técnica impressiona. Várias cenas do filme são absurdamente bem feitas, há um cuidado com a movimentação que impressiona.

Se tratando de um filme de Carlos Saldanha (responsável por filmes como A Era do Gelo e Rio), é fácil notar o estilo inconfundível dele, em especial nas cenas em que há uma grande movimentação dos personagens, as famosas “cenas com muita coisa acontecendo”.

Já falando do roteiro, eu lanço mão de uma comparação que vai soar estranha num primeiro momento e que talvez nem faça sentido: me lembrou Pulp Fiction. E aí você que tá lendo isso pergunta “tá, o que tem a ver isso?”. Se você assistiu o clássico do Tarantino, sabe que o filme é dividido em vários pequenos capítulos, que no final se juntam numa história só. O Touro Ferdinando funciona de forma semelhante, na prática.

A história gira em torno de um touro nascido numa fazenda de criação de animais para touradas (naturalmente, a história se passa na Espanha, terra de origem da prática), mas é um touro que não gosta de brigas. E como todo filme, existem os problemas que devem ser resolvidos até chegar no final.

E nesse ponto o roteiro acerta bonito: há um grande problema da história que aparece ao longo dela, mas o roteiro se concentra em outras situações menores que se resolvem rápido, como se fossem vários capítulos de um desenho animado passando em sequência. E no fim, tudo se liga para se concentrar na situação final.

imagem do filme O Touro Ferdinando

Da esquerda pra direita: Guapo, Ferdinando, Máquina (fileira de cima); Magrão, Angus e Valente (fileira de baixo)

Quanto aos personagens, há um grande número deles, e um desenvolvimento bom de praticamente todos. Se tratando de um filme com um animal de protagonista, os humanos ficam em segundo plano. Alguns diálogos do filme acontecem em espanhol mesmo, talvez numa ideia de mostrar que aquilo não tem muita importância, focando totalmente nos animais.

Animais esses que são os da imagem acima: Guapo (típico cara boa-pinta mas que fica nervoso e vomita por qualquer coisa), Ferdinando (o touro que é mais forte que todos mas que não gosta de brigar), Máquina (touro criado para ser o melhor e o mais forte, nunca sorri porque apenas responde a estímulos, tal qual uma máquina), Magrão (que faz jus ao nome, talvez o que menos tem participação na história), Angus (ponto cômico do filme por enxergar mal, afinal os pelos da cabeça cobrem seu olho) e Valente (grande rival de Ferdinando que provavelmente tem algum complexo de auto-estima, é tipo o Vegeta em forma de touro).

Ainda temos Lupe, a cabra da fazenda que tem a missão de treinar Ferdinando (e que na prática é uma co-protagonista do filme) e os ouriços Una, Dos e Cuatro (também alívios cômicos mas com grande participação na história), e por fim o trio de cavalos Hans, Greta e Klaus. Quanto aos humanos, temos Juan e Nina (pai e filha que criam Ferdinando em parte do filme, junto com o cão Paco), além de El Primero, toureiro que está a procura de um touro para sua última batalha.

Mais que isso não dá pra detalhar porque aí eu quebraria a regra do título, que é a de não dar spoilers. Mas em resumo, é um filme com ótima qualidade técnica, bom roteiro e bons personagens. Não me espantaria se ele ganhasse o Oscar, inclusive.

Até a próxima!

21 anos, jornalista, blogueiro, pintor de discos voadores. Gosta de música, de F1, de batata e de estudar (mas gosto mais de batata).